águas de abril

Sonhaste o impossível nas pétalas de um cravo.
Igualdade, fraternidade, liberdade
povo engalanado com vestes simples
mãos entrelaçadas no companheiro ao lado.

Passaram quarenta anos num segundo
em que nada aparentemente se alterou;
à exceção do sorriso coletivo apagado
flores ressequidas espezinhadas por botifarras
sombras murchas do país então sonhado.

Quisemos encaixar as quimeras num nome de mês
em abril, águas mil, rugiram vozes antiquadas
entendemos mal os velhacos ditos populares
pensámos em chuvas, ventos e trovoadas
quando são lágrimas tristes as culpadas do chão molhado.

Morreste revolução aos braços do povo sociedade
esquecido do impossível 25 então imaginado
engano de capitães salvadores no dia selecionado
saiu-nos um 31, quebra-cabeças sem solução.

Porque agora, só interesso eu;
tu, deixaste de ser meu irmão.

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Sobre paulommorais

Escrevo romances, textos, fragmentos. Antes e depois da escrita, leio. Gasto muitas noites com filmes. Nos entretanto, divago sobre novas personagens com histórias por contar.
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