A vida pacata de um livro

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[imagem: excerto da entrevista de Mário de Carvalho à revista LER, edição de fevereiro 2014]

O «Revolução Paraíso» tem tido uma vida pacata. Ainda assim, em quase um ano de vida, lá acabou por ter os seus leitores. Alguns permaneceram no anonimato, embora fossem figuras públicas. Logo ao início, um músico escreveu um cartão de agradecimento à editora, no qual pedia para transmitir um abraço ao autor de «um fantástico livro que se devora, ainda que pleno de profundidade, emoção e valores». Transmitiram-me o abraço, mas não se revelou publicamente o nome do artista. Depois apareceram conversas de bastidores, um par de menções na imprensa, que foram servindo para justificar um ano intenso de pesquisa, escrita e revisão. Senti-me honrado ao saber que um capitão de Abril lera o livro e gostara dele ao ponto de querer mostrá-lo a Vasco Gonçalves. E como resultado de leituras “obrigatórias” – em grupos de leitores e blogues literários e amigos –, também recebi algumas opiniões francas e reconfortantes.

No início deste ano, “conheci” o leitor Miguel Real, através da inclusão do «Revolução Paraíso» no balanço do romance português em 2013, publicado no Jornal de Letras. Agora, este fevereiro frio e chuvoso trouxe um momento único e mágico: o «Revolução Paraíso» na revista LER, citado por um leitor. Um leitor chamado Mário de Carvalho, o homem e escritor que, desde o início, desejei ter por “companhia” nesta minha iniciação literária.

Ler um romance com mais de 300 páginas é uma dádiva de tempo; comprar um livro nesta profunda crise económica é um ato de generosidade. Por isso, foi sempre um consolo e um alívio de cada vez que soube que o meu primeiro livro tinha proporcionado momentos agradáveis a um leitor. E foi através destas pequenas grandes coisas, desde os leitores mais conhecidos aos mais anónimos que chegaram até mim, que a vida pacata de um livro se agigantou no meu coração. Sinto que o esforço valeu a pena. Resta-me agradecer, de braços abertos, a todos os que leram o «Revolução Paraíso».

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Sobre paulommorais

Escrevo romances, textos, fragmentos. Antes e depois da escrita, leio. Gasto muitas noites com filmes. Nos entretanto, divago sobre novas personagens com histórias por contar.
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