a utopia de um livro renascido

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A revolução do 25 de Abril está prestes a fazer 40 anos. O meu “Revolução Paraíso” está quase a celebrar um ano. No início, a intenção era semelhante: concretizar a utopia. Os capitães queriam um país sem guerra, um país menos pobre, um país mais fraterno, um país mais aberto ao mundo. E eu queria juntar a alegria de escrever a um modo alternativo de ganhar a vida.

Desempregado, entrado nos quarenta, já a sentir o estigma de enviar currículos que nem são considerados por causa da idade, sonhei com a hipótese de o “Revolução Paraíso” chegar a uma segunda edição e, com isso, compor um pouco as depauperadas finanças. Antes, dei tudo o que sabia à escrita do livro (e compreendi que ainda sabia tão pouco). Depois, dei tudo o que podia à promoção do livro. Fui aos sítios que me mandaram, respondi às respostas que me fizeram, criei blogues e rubricas em torno do 25 de Abril; até fiz um booktrailer artesanal com fotografias tiradas por um amigo. Mantive este esforço e investimento pessoal ao longo do ano que agora se cumpre, mesmo ciente de que o sucesso ou fracasso de vendas se joga em questão de escassas semanas, mesmo ciente de que o destino do livro, poucos meses após o lançamento, passa por vegetar em armazéns até morrer em guilhotinas industriais.

Houve quem me dissesse que o “Revolução Paraíso” deveria ter sido lançado por ocasião dos quarenta anos do 25 de Abril. Sim, talvez. Também há quem me afirme que o livro merecia ter, agora, nova vida. E eu respondo o mesmo: sim, talvez. Porém, não será mais uma utopia acreditar que renascerá das cinzas? Sim, muito provavelmente não passa de mais um sonho tolo.

???????????????????????????????Acontece que só me apetece escrever sobre utopias e ideais e princípios e valores e obstáculos que temos de enfrentar e superar. E é por isso que mostrarei, durante as próximas semanas, o que foi o primeiro ano de vida do “Revolução Paraíso”. É por isso que direi agora o que antes disse timidamente (somente por não gostar de me impor às pessoas). Sim, quis colocar toda a nossa pós-Revolução naquelas páginas. Sim, quis viver intensamente o meu 25 de Abril através daquelas personagens. Sim, ainda espero alegrias deste “Revolução Paraíso”.

O meu livro pode já estar escondido, moribundo, desaparecido. Mas basta que alguém o peça para que ele volte a viver. E é nesse sinal de esperança que quero celebrar os 40 anos da nossa Revolução dos Cravos e o primeiro ano da minha revolução pessoal. Mesmo que, em ambos os casos, todos os indícios apontem para que não haja razões para grandes esperanças.

Pouco importa. Quando se acredita verdadeiramente nas utopias, o desespero tem mais dificuldade em entranhar-se no nosso espírito.

Viva o 25 de Abril. Sempre.

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Sobre paulommorais

Escrevo romances, textos, fragmentos. Antes e depois da escrita, leio. Gasto muitas noites com filmes. Nos entretanto, divago sobre novas personagens com histórias por contar.
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