José Eduardo Agualusa em «nação crioula»

jose-eduardo-agualusa1Há uma semana atrás fui com o Eça de Queiroz comer um bacalhau à Mouraria, numa taverna que ele cultua com justo (justíssimo!) fervor. Exilado vai fazer quatro anos em Newcastle-on-Tyne, onde, a bem da nação, definha e escreve, o meu amigo veio a Lisboa à procura de Portugal. Não encontrou sinais da heróica pátria de Camões nem no Rossio nem no Chiado, e então, quase descrente, lembrou-se da Mouraria e da taverna. Fomos os dois, e ali encontrámos realmente Portugal, sentado entre vadios e varinas, cantando o fado, cheirando brutalmente a alho e a suor. Veio o bacalhau, esplêndido, com o grão-de-bico, os pimentos, a salsa fresca, e nós calámo-nos para celebrar tão grande momento. Saímos já passava da meia-noite, exaustos mas refeitos, arrotando a Pátria, e um pouco tontos porque o tinto era óptimo.

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Sobre paulommorais

Escrevo romances, textos, fragmentos. Antes e depois da escrita, leio. Gasto muitas noites com filmes. Nos entretanto, divago sobre novas personagens com histórias por contar.
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