as minhas palavras de amigo: «amo o amor»

Quando um amigo (“o” nosso amigo, mano de vida), nos escreve uma coisa assim, ficamos sem palavras. Por um lado pensamos que ele é que devia escrever. Ele é que deveria ser o escritor. Depois, porque ficamos emocionados ao gostarmos tanto do que ele nos diz. Mas ele não é de se expor. Não é de redes sociais. Nestes casos, em que um texto merece ser apreciado por mais do que um par de olhos, que resta fazer? Pedir-lhe permissão para pegar nas palavras dele e torná-las nossas. Se fosse um blogue a sério, isto seria um post de convidado. Assim são só as palavras do meu amigo, acompanhadas duma imagem minha.

 

«Eu adoro o amor. Até posso mesmo dizer que amo o amor.
Falo só de amor amoroso. E carnal também.
Mas o filho da puta é complicado. E é com todo o carinho que o digo.
Nada mais me preenche com o mesmo esplendor.
Com toda a plenitude que se pode expandir dentro de um mesmo corpo.
Ou entre dois corpos. Uma ponte entre almas, qualquer coisa assim.
Poucas vezes senti essa felicidade capaz de explodir em cada milímetro da pele.
Capaz de, assim de repente, transformar apenas momentos em fracções cósmicas de exaltação colectiva e repetitiva.
A maior parte das vezes senti isto em mim, comigo, sozinho, perdido na deriva da mente.
Não deixa de ser amor e de ser deliciosa ilusão real.
Houve momentos em que ter de piscar os olhos me custava, pelo intervalo que se opunha entre mim e a beleza.
Mas a maior parte das vezes não me senti acompanhado. Não me senti confortado pelo outro lado.
Não senti o mesmo comprimento de onda. Só uma onda diferente.
A onda que procurei, nunca a encontrei verdadeiramente.
Essa vaga, que nela, ela, é precisamente igual àquela que escorre dos teus olhos, que nasce na tua pele. Que morre com a separação física e volta a viver com um reencontro que parece um sonho nunca sonhado.
Pois é mesmo, mesmo, por causa desta dificuldade em encontrá-lo que temos de exaltar o amor.
De nunca desistir dele, por mais difícil que seja agarrá-lo. Seja o amor que dure cinco minutos, o amor que se sonha, o amor de olhar e descobrir as coisas do mundo, o amor que foge, o amor que morre em nós.
Há que exaltá-lo e pronto. Ele é possível.
Mas a minha questão é: porque é tem de ser tão difícil?
The motherfucker, man!»

as-minhas-palavras-de-amigo

Anúncios

Sobre paulommorais

Escrevo romances, textos, fragmentos. Antes e depois da escrita, leio. Gasto muitas noites com filmes. Nos entretanto, divago sobre novas personagens com histórias por contar.
Esta entrada foi publicada em oráculo-morais com as etiquetas , . ligação permanente.

comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s