ficção realista

Ao escrever o romance «Estrada de Macadame», uma das personagens “invisíveis” inspirou-me uma espécie de poema sobre uma menina e um cancro (curiosamente, um linfoma…). Ei-lo.

CANCRO ESTRELA-DO-MAR

Entrou sedento
corpo adentro,
instalou-se sem manifesto,
renda ou contrato.
Tornou-se mandatário
de glóbulos e artérias;
reaccionário convicto,
lutou contra invasores:
batas brancas, radiações
esperança nos corações
preces aos Cristos dos andores.
Selou os tímpanos moucos,
num sinal extremo de recusa,
aos desesperados roucos.
Adorava ali estar
a espalhar as pontas sem pesar,
como uma estrela de anis
que finge ter vindo do mar.

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Sobre paulommorais

Escrevo romances, textos, fragmentos. Antes e depois da escrita, leio. Gasto muitas noites com filmes. Nos entretanto, divago sobre novas personagens com histórias por contar.
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